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Economia e Mercado

O Brasil acha um caminho

Nem a euforia asiática, nem a depressão europeia. Em 2012, o país reforça sua opção de crescimento razoável e, acima de tudo, estável. Não chega a ser brilhante, mas é o possível por enquanto.

03/02/2012

Nem a euforia asiática, nem a depressão europeia. Em 2012, o país reforça sua opção de crescimento razoável e, acima de tudo, estável. Não chega a ser brilhante, mas é o possível por enquanto. Veio de Davos, a gélida cidade suíça que virou sinônimo de capitalismo, a melhor leitura do estado atual da economia brasileira. Durante a reunião deste ano do Fórum Econômico Mundial - desde 1971 uma espécie de meca do jet set global -, o Brasil foi apontado como o terceiro país mais importante para o crescimento das empresas globais, atrás apenas de China e Estados Unidos. É uma posição ainda melhor que a obtida no recém-divulgado ranking de atração de investimento direto estrangeiro, que deu ao país o quarto posto em 2011.

Não temos, é evidente, o fôlego estonteante dos países emergentes da Ásia, da China e da Índia à frente. Mas, aos poucos, o Brasil vai consolidando um caminho próprio. Distante tanto da euforia chinesa quanto da depressão europeia, esse caminho consiste de uma combinação de crescimento pelo menos razoável com estabilidade quase inacreditável a qualquer brasileiro com mais de 40 anos de idade.

Excetuando-se o ano eleitoral de 2010, em que a economia foi visivelmente hiper-aquecida, o Brasil parece ter entrado num voo de cruzeiro, em que o crescimento oscila em torno de 3,5% anualmente. A estabilidade pode-se notar até mesmo pelo número de ocupantes do Ministério da Fazenda - foram 12 entre 1985 e 1994 e apenas três desde então (veja a coluna de J R. Guzzo na pág. 99)."O potencial de expansão brasileiro é de até 5% ao ano, um pouco acima do patamar atual", afirma Jim O'Neill, presidente da gestora de recursos do banco americano Goldman Sachs e um dos primeiros a notar a capacidade transformadora dos quatro grandes do mundo emergente reunidos na sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). "Não é um avanço de 10%, como o chinês. Para chegar a ele, talvez o Brasil precisasse atrair dezenas de milhões de imigrantes.

Como tem ocorrido desde meados da última década, mais uma vez a alta do PIB em 2012 estará umbilicalmente ligada à demanda do mercado interno. É um trunfo e tanto: milhões de famílias da chamada nova classe média hoje consomem de carros e eletrodomésticos novos a pacotes de viagem, bens aos quais antes não tinham acesso. Graças ao consumo dos próprios brasileiros, o crescimento econômico deste ano deve superar o de 2011, inferior a 3% - as apostas para 2012 estão na faixa entre 3,3% e 4,5%.

Além da própria taxa mais alta, há ainda outra vantagem no ano que se inicia. É como se 2011 e 2012 se olhassem no espelho e enxergassem seu oposto: um começou com euforia e terminou em ressaca; o outro começa titubeante, mas tende a engrenar a partir do segundo semestre. Ou mesmo antes - nas contas de muita gente, a retomada provavelmente será antecipada. "O Brasil precisou dar uma boa freada no ano passado para desaquecer a economia, mas já temos sinais da volta do crescimento", afirma Cristiano Souza, economista do banco Santander.

Para quem acredita num ano bom, o otimismo é enfático. A SDLG, multinacional controlada pela Volvo que chegou ao Brasil há dois anos para vender máquinas pesadas à indústria de construção, prevê um crescimento de até 5% em seu segmento, segundo o diretor executivo da companhia na América Latina, Afrânio Chueire. A promessa de aumento do investimento público em infraestrutura dá fôlego extra a um setor aquecido pelo aumento do crédito e iniciativas governamentais como o Minha Casa, Minha Vida. "O setor diminuiu a velocidade em 2011 com a redução dos gastos do governo, mas foi até bom. Ele estava muito acelerado", diz Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.
 
Recolocar a economia no eixo, aliás, talvez tenha sido a principal conquista econômica da presidente Dilma Rousseff em seu primeiro ano de mandato. Por isso, os prognósticos para 2012 são positivos. A inflação no ano passado correu frequentemente acima da meta.

Fonte: Revista Exame