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Materiais e Mão de obra

Exportação equilibra cadeia da reciclagem

A sucata metálica brasileira já abastece siderúrgicas no exterior e quer conquistar novos territórios.

26/03/2012

A sucata metálica brasileira já abastece siderúrgicas no exterior e quer conquistar novos territórios. Segundo o Sindicato das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Sindinesfa), em 2005 apenas 12 mil toneladas foram embarcadas. Em 2010, foram 81 mil toneladas e a estimativa é que 2011 tenha fechado com 258 mil toneladas embarcadas. Países asiáticos como Coreia do Sul, Vietnã, Índia e Paquistão estão entre os principais destinos.

O movimento exportador ganhou impulso com a crise de 2008. O consumo brasileiro de sucata de aço caiu de 9,4 milhões de toneladas em 2008 para 7,45 milhões no ano seguinte. Os preços também despencaram. A sucata de ferro com pouco processamento, chamada de mista, caiu de R$ 0,50 por quilo para R$ 0,22 no auge da crise. Hoje, as siderúrgicas nacionais pagam por volta de R$ 0,45 o quilo, enquanto os preços internacionais estão em R$ 0,56 para o mesmo tipo de material.

O custo logístico da exportação também é menor. Como relata Marcos Fonseca, diretor comercial da RFR, empresa de processamento de sucata instalada em Guarulhos, na Grande São Paulo, o frete de um contêiner de 20 pés entre Santos e a Coreia do Sul é de US$ 220,00, enquanto o trajeto Guarulhos a Santos custa US$ 700,00. Financeiramente, compensa mais exportar. Mas optamos por limitar as vendas externas e manter uma relação preferencial com as siderúrgicas do país para não nos expormos tanto à variação cambial, diz Fonseca. A RFR é uma das maiores sucateiras brasileiras, processa entre 45 mil e 50 mil toneladas por mês - 20% são exportados.

Para José Antônio Arévalo Júnior, dono da Cofarja, de Osasco, é a exportação que está gerando equilíbrio na cadeia da reciclagem do aço. Sem ela, boa parte dos catadores de materiais e sucateiros teria sucumbido nos últimos anos. Entendemos que as siderúrgicas estão sofrendo com a concorrência de produtos importados e que o preço da sucata tenha que colaborar com o esforço delas de ganhar competitividade, mas a remuneração precisa cobrir os custos e isto nem sempre tem ocorrido, diz.

Questionado sobre as razões que levam a sucata no Brasil valer menos que no exterior e se esta realidade não afetaria a sustentabilidade da cadeia produtiva da reciclagem, o Instituto Aço Brasil manifestou-se por e-mail, em que afirma que não acompanha questões de preço e custo por questão de defesa da concorrência. Trata-se de relacionamento entre as empresas e seus clientes e fornecedores. Lembramos que a comercialização da sucata de aço é regida pela livre concorrência, através do mercado. 

Fonte: Valor Econômico