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Meio Ambiente

Sustentabilidade gigante

Grandes empreendimentos começam a reaproveitar a água em sistemas econômicos e ambientalmente corretos. Essa ação é bem-vinda: 21% de todo o líquido tratado do planeta é consumido apenas pela construção civil.

23/03/2013

Grandes empreendimentos começam a reaproveitar a água em sistemas econômicos e ambientalmente corretos. Essa ação é bem-vinda: 21% de todo o líquido tratado do planeta é consumido apenas pela construção civil.

Foi-se o tempo em que apenas residências mais modernas possuíam sistema de reaproveitamento de água. De acordo com dados do Green Building Council (GBC), organização internacional dedicada à engenharia sustentável, a construção civil é responsável pelo consumo de 21% de toda a água tratada do planeta. Para reduzir esse tipo de impacto, cada vez mais construções de grande porte no Brasil têm investido em projetos que utilizem os recursos hídricos de forma econômica e ambientalmente correta.

Um dos principais exemplos disso na capital é o Estádio Nacional Mané Garrincha, atualmente em fase final de reforma para ser inaugurado em 21 de abril, aniversário da capital. A construção contará com cinco cisternas no interior do local, além de um lago externo, todos destinados à retenção da água da chuva para reaproveitamento. "O que for captado será reutilizado principalmente na irrigação do gramado, nos mictórios e nos vasos sanitários", explica Cláudio Monteiro, secretário extraordinário da Copa do Mundo de 2014.

Segundo ele, de todos os estádios nas 12 cidades sedes, o de Brasília será o mais ecológico. "Todos eles têm de atender às exigências básicas da Fifa, mas apenas o daqui tem um projeto que vai além", comenta Monteiro. A intenção do Governo do Distrito Federal é que o estádio consiga ser o primeiro no país a conquistar o selo Leed Platinum, concedido pelo GBC e reconhecido internacionalmente como garantia de construção ecologicamente responsável. "Queremos que o Mané Garrincha seja referência para outras arenas não só no Brasil, mas também em outros países", diz Monteiro.

Para Marcos Casado, diretor-técnico e educacional do GBC Brasil, o mercado de construções sustentáveis de grande porte cresceu muito nos últimos cinco anos. "O GBC chegou ao Brasil em 2007 e, naquele ano, só tivemos oito construções registradas para avaliarmos e concedermos o selo Leed", explica Casado. "Hoje, já temos 85 empreendimentos certificados e mais 600 em processo de análise."

De acordo com o diretor, isso se deve não apenas à maior exigência do público por construções ecologicamente corretas, mas também porque percebeu-se que um projeto sustentável traz diversos benefícios. "O mercado tem visto que não se trata apenas de poupar mais água. Junto, vem economia nos gastos, uma vez que os recursos hídricos são reaproveitados. Sem contar o fato de que algumas cidades já têm o chamado IPTU Verde, que dá incentivos fiscais a empreendimentos com projetos ecológicos de infraestrutura", lista Casado.

Apesar de tantos incentivos, ele considera que ainda é baixo o número de grandes construções sustentáveis no Brasil em comparação com países mais desenvolvidos. Uma das razões para isso seria o fato de um empreendimento ecológico custar de 1% a 7% mais caro. "Mas essa apreensão é infundada, pois esse preço que se paga a mais no início é compensado logo depois com a economia resultante do reaproveitamento da água", explica Casado. "As construções sustentáveis não representam sequer 2% do mercado. Mas não faltam motivos para que esse número cresça. Temos um futuro promissor pela frente."

As diferenças
O selo Leed possui diferentes níveis, que variam de acordo com a pontuação adquirida pelo empreendimento avaliado, após analisados aspectos como eficiência energética, uso racional da água e materiais, entre outros. Atualmente, existem apenas dois edifícios certificados com o selo de maior valor, o Leed Platinum, localizados em São Paulo.
1 - Básico: de 40 a 49 pontos 2 - Silver: de 50 a 59 pontos 3 - Gold: de 60 a 79 pontos 4 - Platinum: de 80 a 110 pontos

Fonte: Correio Brasiliense