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Como está a participação da mulher na Construção Civil

Conheça os programas que querem aumentar a participação/inclusão das mulheres neste setor

08/03/2018

Hoje comemoramos o Dia Internacional da Mulher, ocasião para celebrar as conquistas do sexo feminino e também para refletir sobre igualdade de direitos.

Já evoluímos muito, mas ainda ouvimos falar sobre as desigualdades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho. Elas ainda ganham menos que os homens, mesmo desempenhando exatamente a mesma função que os profissionais do sexo masculino.

Segundo a pesquisa Estatísticas de Gênero do IBGE, de 2016, a renda média das brasileiras corresponde aproximadamente 75% da renda média dos homens.    

E de acordo, com o relatório apresentado no Fórum Mundial  de 2014, a igualdade de gêneros no mercado de trabalho, só será possível em 2095. O Brasil ocupa a 124º posição, entre 142 países, no ranking de igualdade de salários. Entre os 22 países das Américas, o país aparece em 21º lugar, ficando à frente apenas do Chile.

Além das diferenças salariais, ainda ouvimos falar pouco sobre a presença feminina em alguns setores da economia, como é o caso da Construção Civil. Este é um setor com uma grande predominância masculina. Mas, elas estão ano a ano conquistando sua posição neste mercado e a perspectiva é de que os números continuem crescendo. 

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2009 o número de profissionais do sexo feminino na Construção Civil era de 158.780 . E, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção  (CBIC), em 2014, o número de mulheres trabalhando no setor já era de 276.588 – um crescimento de mais de 60% se compararmos o período. 

De acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins: “O aumento da participação feminina tem sido acompanhado de uma maior profissionalização da mão de obra. É uma força de trabalho especializada, que acaba influenciando de maneira positiva os operários”. 1.

Felizmente, há alguns programas de incentivo para a inserção da mulher no mercado, tanto público quanto privado, por exemplo: o Programa Mulheres Construindo Autonomia na Construção Civil , do Governo Federal que visa a capacitar mulheres com baixa-renda, pouca escolaridade, em situação de risco social e vulneráveis à violência doméstica, na área da construção civil. 

Além dessa ação do Governo Federal, há também o projeto pioneiro Mão na Massa, no Rio de Janeiro , onde são oferecidos cursos profissionalizantes com o intuito de garantir oportunidades às mulheres na indústria da construção. A qualificação profissional é gratuita para as participantes, que além das aulas e do diploma, recebem equipamento de proteção individual e um kit de ferramentas para iniciar seus serviços após a qualificação. Este projeto foi idealizado pela Engenheira Civil e Técnica de Edificações, Deise Gravina, com experiência em obras como o Metro do Rio de Janeiro, a Torre do Shopping Rio Sul e a Usina Tucurui. O sonho de Deise era ver mais mulheres na profissão. Ela previa que era somente uma questão de tempo “Sempre tive vontade de colocá-las para trabalhar nessa área, que carecia da presença feminina”.2

A ONG Mulher em Construção , no Rio Grande do Sul, é mais uma iniciativa, que há 12 anos oferece cursos de capacitação para que as mulheres atendidas possam se tornar pedreiras, azulejistas, pintoras, eletricistas, ceramistas, entre outras. Neste período mais de 4 mil gaúchas já receberam diplomas para exercer funções de construção civil, do alicerce até o acabamento de uma obra. A ONG foi criada a partir de um projeto piloto, em 2006, implementado por Bia Kern, que teve a iniciativa de firmar parceria entre professores voluntários e empresas ligadas à construção civil. 

Além disso, por meio do projeto Mulheres em construção, do Fórum de Ação Social e Cidadania  (FASC), a CBIC desenvolve pesquisas e ações, articula forças, busca soluções para questões cotidianas, promove inciativas de capacitação profissional e de conscientização das empresas e trabalhadores para estimular a inclusão feminina na construção. 

Em entrevista para o CBIC Mais em 2016, Ana Cláudia Gomes, presidente do FASC/CBIC ressalta: “O nosso objetivo no Mulheres da Construção (...) é manter o assunto da valorização da mulher no setor sempre em discussão, é continuar apoiando e identificando iniciativas de qualificação de mulheres para a nossa indústria, pra que ela já entre de forma qualificada. Então, todos os projetos que conheci de inclusão de mulheres eles tem foco na qualificação da mulher, onde ela vai entrar no setor já qualificada e com uma profissão. Queremos criar essa cultura, quebrar as resistências, evidenciar os ganhos para o setor, e continuar incentivando a participação dela nos níveis operacionais. Porque a gente já reconhece que nos níveis administrativos e nos níveis gerenciais a presença da mulher é uma realidade já há muito tempo na nossa indústria, falta agora no nível operacional.” 

Veja abaixo um vídeo especial sobre a inserção das mulheres no setor da construção civil: 


Sabemos que o caminho para a igualdade entre os gêneros ainda é longo, mas já avançamos e muito e com conscientização e persistência continuaremos no caminho certo.

Mulher, parabéns por suas conquistas. Um Feliz dia das mulheres! 


Fonte:

1- Sindicato da Indústria

2- Veja Rio de Janeiro