ACONTECE IMOB

Artigos

Voltar

A presença da mulher na Construção Civil

O mês de março está terminando, mas a luta feminina por mais igualdade continua. Já evoluímos muito, mas em pleno ano de 2017 ainda ouvimos falar pouco sobre a presença das mulheres em alguns setores da economia, como é o caso da Construção Civil. Aqui no Brasil, a presença masculina na construção ainda predomina consideravelmente

15/03/2017

O mês de março está terminando, mas a luta feminina por mais igualdade continua. Já evoluímos muito, mas em pleno ano de 2017 ainda ouvimos falar pouco sobre a presença das mulheres em alguns setores da economia, como é o caso da Construção Civil.

Aqui no Brasil, a presença masculina na construção ainda predomina consideravelmente, mas os números tendem a aumentar, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego: entre 2007 e 2009 a contratação de mulheres na construção civil teve um crescimento de 44,5%. 

O dado mais recente sobre a participação da mulher na construção é de 2010, onde foram contabilizadas mais de 200 mil mulheres trabalhando na área, seja de maneira formal ou mesmo autônoma, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Esse número equivale a 8% do total de profissionais que atuam na construção civil. O tema é pauta de discussões até no Senado Federal, pelo Projeto de Lei do Senado (PLS) 323/2012, que tem por objetivo estimular que mais mulheres sejam contratadas na construção civil para elevar a, no mínimo, 12% essa participação feminina nas obras públicas.

Nas atividades como construção de estações e redes de telecomunicações, a presença feminina passou de 12,96% em 2010 para 13,68% em 2011. Em perfuração e construção de poços de água o número de mulheres foi de 11,75% para 12,31%. Já nas atividades de montagem e instalação de sistema e equipamentos de iluminação e sinalização em vias públicas, postos e aeroportos atividade as mulheres cresceram muito pouco em sua participação: de 14,14% em 2010 para 14,36% em 2011.

Na Engenharia Civil a presença feminina também é ainda menor que a masculina, de acordo com o último Censo realizado pelo INEP. O resultado da pesquisa mostrou que as mulheres representam somente 30% das matrículas nos cursos da área no Brasil.

Em prol de promover mais igualdade de gênero, existem vários projetos pelo Brasil oferecendo emprego a mulheres com baixa renda. Um deles é o projeto “Mão na Massa”, que já ajudou mais de 1.000 mulheres no Rio de Janeiro a ingressarem no mercado de trabalho por meio de cursos profissionalizantes que lhes garantiram uma oportunidade na indústria da construção.

A ONG Mulher em Construção, no Rio Grande do Sul, também tem feito a sua parte e já ofereceu capacitação para quase 4.000 mulheres que, por meio de cursos práticos, se tornaram pedreiras, azulejistas, pintoras, eletricistas e ceramistas. Além de ensinar a prática das atividades, este projeto também se preocupa em abordar temas como a tolerância, a importância do respeito às diferenças e do desenvolvimento de uma consciência social crítica.

Também precisamos lembrar que a diferença salarial é uma dura realidade, apesar dos índices mostrarem avanços. Por exemplo, uma pesquisa realizada em 2013 mostrou que as mulheres engenheiras recebem um salário 19% menor que seus colegas do sexo masculino, mesmo desempenhando exatamente a mesma função que eles.

Estamos progredindo, é fato, mas o caminho para a igualdade ainda é longo e só com muita luta e respeito nós conseguiremos garantir os mesmos direitos para homens e mulheres.