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Construção 100% Sustentável

A Construção Sustentável está atrelada a um novo comportamento geral, baseado no conceito de sustentabilidade proposto pelo Relatório Bruntland, da ONU: “Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações em satisfazer suas próprias necessidades”

02/07/2011

A Construção Sustentável está atrelada a um novo comportamento geral, baseado no conceito de sustentabilidade proposto pelo Relatório Bruntland, da ONU: “Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações em satisfazer suas próprias necessidades”. Esse comportamento exige um processo de construção responsável e auto-suficiente, que permita atender as necessidades de edificação sem renunciar à moderna tecnologia, ao mesmo tempo que busca soluções de preservação do meio ambiente e renovação dos recursos naturais.

Mesmo com essa consciência, o setor das construções ainda está entre os mais poluentes do mundo. De acordo com o PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - , as construções consomem um terço dos recursos naturais em uso no mundo, 12% da água potável e 40% da energia elétrica do planeta, além de responder por um terço das emissões de carbono. Quinze países possuem metas de eficiência energética nacionais para construções. O Reino Unido é o mais agressivo deles. A partir de 2016, todas as casas construídas deverão ter emissão zero de carbono, depois de erguidas. Elas terão de ser capazes de gerar toda a energia que precisam para funcionar.

No Brasil, a estimativa é de que, da construção, provenham entre 25% a 30% das emissões de CO2, incluindo o transporte de materiais, 42% do consumo de eletricidade e 21% do consumo de água potável. Com o uso de construções limpas é possível reduzir em 30% o consumo de energia e 20% o de água, sem contar a redução no bolso do consumidor, que pode chegar a 30%. Ponto de destaque é o estímulo ao desenvolvimento de tecnologia e criação de novos setores da indústria que gera a adoção de metas públicas.

O Brasil tem enorme potencial para a construção, principalmente se analisarmos do ponto de vista de um país que, nos próximos 5 anos, sediará eventos como a Copa do Mundo e uma Olimpíada. Apesar das diferenças climáticas, sociais e econômicas, o país deve aproveitar a experiência da Inglaterra, que se prepara para receber os jogos olímpicos de 2012 trabalhando nos objetivos do plano de sustentabilidade criado exclusivamente para este evento, como ajuda para encurtar caminhos na formulação de políticas de construção sustentável.

A Inglaterra levou anos até chegar a uma legislação consistente, tendo sucesso apenas quando houve a preocupação em valorar as questões climáticas e transformar discursos em números para o Mercado, através de um estudo sobre mudanças climáticas que apontou os benefícios financeiros de se investir em sustentabilidade. Para os britânicos, o fator que influencia a adoção de medidas verdes é definitivamente o econômico. “Nós trabalhamos com sustentabilidade porque é um negócio rentável. E vai ser cada vez mais valorizado”, diz Peter Bonfield, CEO da BRE, fundo público e privado para a construção verde.

Seguindo o exemplo das casas sustentáveis da BRE, na Inglaterra, a Universidade de Brasília (UnB) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção planejam erguer projeto semelhante no campus da Gama da UnB, com o objetivo de criar um abiente para o desenvolvimento e teste de soluções sustentáveis para a construção, utilizando apenas produtos brasileiros.

O país está evoluindo nas políticas públicas que impactam na construção, com a aprovação, em 2010, da lei de resíduos sólidos , que trata do descarte de resíduos, mas ainda está longe de ter um código de construção sustentável que atenda à sua diversidade natural e social. De acordo com Diana Csillag, diretora do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, a obstáculo reside na dificuldade de formular leis que supram as necessidades de um perfil e engessem ou atrapalhem outros. Já em São Paulo foi aprovada a Política Estadual de Mudanças Climáticas, com foco na construção, transporte, energia e uso do solo.

O Brasil quer os jogos olímpicos de 2016 com selo ambiental, mas ainda está atrasado em infraestrutura. Em março, quando foi confirmado Henrique Meirelles para liderar a APO (Autoridade Pública Olímpica) brasileira, Dan Epstein, chefe de desenvolvimento sustentável da Autoridade Olímpica inglesa esteve no Brasil para dar assessoria ao planejamento dos jogos olímpicos de 2016. De acordo com Orlando Silva, ministro dos esportes, o objetivo é aproveitar as melhores práticas de Londres para a Olímpiada e da Alemanha para a Copa do Mundo. 

Cláudio Langone, coordenador de Meio Ambiente para a Copa 2014, afirma haver grupos de trabalho sustentável para reciclagem, alimentação orgânica, parques e mudança climática, mas não tem uma política unificada de sustentabilidade para estádios, infraestrutura de acesso, hotéis e gestão de legado com metas definidas.

O ponto crítico é a infraestrutura de acesso, carente de planejamento e tempo para trabalhar na melhoria dos transportes. Dificilmente será possível de pensar em soluções sustentáveis de improviso para a Copa de 2014. 

A busca da certificação ambiental para os jogos olímpicos deve render resultados bastante positivos no âmbito da sustentabilidade, mas esbarra na necessidade de aprovação dos três níveis de poderes: municipal, estadual e federal. Na opinião de Adam Williams, da Aecom inglesa, este é um dos maiores desafios à preparação da Olimpíada brasileira. E ele aproveita para fazer uma crítica em tom de brincadeira: “Sempre podemos contar com o fato de os brasileiros serem bons em jogadas de improviso”.