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Crédito imobiliário deve superar a meta em 2011

Entre janeiro e junho, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 37 bilhões, enquanto os com recursos do FGTS ficaram em R$ 12,9 bi O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antônio Nogueira França, disse ontem, ao anunciar os números do semestre, que a estimativa de expansão

25/05/2012

Entre janeiro e junho, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 37 bilhões, enquanto os com recursos do FGTS ficaram em R$ 12,9 bi

O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antônio Nogueira França, disse ontem, ao anunciar os números do semestre, que a estimativa de expansão do crédito imobiliário com recursos da poupança em 2011, de R$ 85 bilhões, será superada.

 "Historicamente o segundo semestre é mais forte que o primeiro. Além disso, nos primeiros seis meses do ano já cumprimos perto de 45% dessa meta, sendo que normalmente atingimos apenas 40%", explicou, sem especificar uma nova meta.

Para 2011, a entidade confirma a expectativa de crescimento do PIB em torno de 4%, manutenção do nível de emprego, crescimento da massa salarial, com bancos focados no crédito imobiliário e a indústria da construção prevendo aumento da atividade.

A Abecip estima ainda avanço de 28% no número de unidades financiadas neste ano, para 540 mil.

Entre janeiro e junho, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 37 bilhões, enquanto os com recursos do FGTS ficaram em R$ 12,9 bilhões, conforme a Abecip.

Somadas, as contratações de crédito imobiliário indicam expansão de 38% no semestre em relação a um ano antes, atingindo R$ 49,9 bilhões.

Nesse contexto, a entidade prevê uma expansão de 38,4% em 2011, para R$ 115 bilhões. No semestre foram financiados 645 mil imóveis, considerando as duas fontes de recursos. O desempenho supera em 30% o volume registrado um ano antes.

Financiamento

O percentual financiado pelos bancos do valor total do imóvel vem crescendo nos últimos anos no País e atingiu 62,7%, na média, no primeiro semestre deste ano, de acordo com os dados divulgados ontem pela Abecip, considerando todos os empréstimos feitos nesse período com recursos da caderneta.

O número é superior ao contabilizado em todo o ano de 2010 (62%). Para se ter uma ideia da escalada desse patamar, em 2005 os mutuários davam de entrada mais da metade do valor para realizar o sonho da casa própria, restando aos bancos emprestar 47,8%.

Para Luiz Antonio França, presidente da entidade, "80% é um número saudável para padrões mundiais após a crise econômica". Esse percentual é o limite nos grandes bancos privados, nível que chega a 90% no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal.

Além desse teto, o valor financiado pelo banco depende do salário do mutuário, já que é possível comprometer cerca de um terço da renda mensal familiar com as prestações mensais. As operações de crédito imobiliário com recursos da poupança atingiram R$ 37 bilhões no primeiro semestre, registrando o melhor resultado para esse intervalo na série histórica, iniciada em 1967, segundo a Abecip. O valor superou em 55% o montante contabilizado em igual período no ano passado. Esses empréstimos são direcionados para a aquisição (R$ 19,8 bilhões) e para a construção (R$ 17,2 bilhões).

Em quantidade, foram 236,5 mil unidades financiadas no total, alcançando também novo patamar, com expansão de 26% no mesmo comparativo - a diferença entre os dois aumentos mostra a elevação no preço do imóvel.

Junho, por sua vez, apresentou o melhor resultado mensal da série em valor (R$ 7,78 bilhões) e em quantidade (46,5 mil imóveis). A inadimplência continua sob controle.

 Considerando atrasos superiores a 90 dias, atingiu 1,15% no primeiro semestre, ante 1,20% em 2009 e 2010.

 CERTIFICAÇÃO. De olho nesse crescimento em ritmo acelerado, a Abecip vai começar a certificar os profissionais que atuam com produtos do mercado imobiliário. O primeiro teste ocorre no final deste mês e será aplicado a quem trabalha em bancos, securitizadoras e companhias hipotecárias.

 O universo potencial é estimado em cerca de 20 mil pessoas, mas profissionais de áreas correlatas, como corretores de imobiliárias, podem se submeter ao teste. Haverá uma prova nos centros da Fundação Getulio Vargas em todo o País para quem lida diretamente com o consumidor final e outra para os que atuam com empresas, como construtoras, por exemplo.

 Nos primeiros dois anos, a adesão será voluntária. "Depois a certificação começa a ser uma exigência", afirma França.