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Empréstimo para compra de moradia tem espaço para crescer

Aquiles Leonardo Diniz – Vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) Até pouco tempo atrás, apenas uma pequena parcela da população tinha acesso a financiamentos imobiliários. O mercado de crédito era iniciante e os bancos, em geral, não tinham muitas opções de produto a oferecer a quem pretendia investir em

11/06/2012

Aquiles Leonardo Diniz - Vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi)

Até pouco tempo atrás, apenas uma pequena parcela da população tinha acesso a financiamentos imobiliários. O mercado de crédito era iniciante e os bancos, em geral, não tinham muitas opções de produto a oferecer a quem pretendia investir em um imóvel. Mas esse cenário mudou e o mercado de crédito imobiliário evoluiu de forma estrondosa nos últimos anos. Gradativamente, tanto o governo quanto as instituições financeiras passaram a se preocupar em facilitar a vida do consumidor na aquisição de um imóvel e a fomentar a construção civil, um dos motores da economia. Um exemplo é o programa do governo federal Minha casa, minha vida, que pretende construir um milhão de casas para a população de baixa renda; ou a iniciativa dos bancos de flexibilizar o acesso ao crédito, seja ampliando prazos e melhorando as condições de pagamento, seja oferecendo seguros variados ou a vantagem de o contrato de financiamento funcionar como uma espécie de escritura definitiva do imóvel.

Para ter uma ideia de como essas medidas movimentam a economia, os bancos são obrigados por lei a destinar mais da metade dos depósitos em caderneta de poupança para o crédito habitacional. No entanto, o volume de investimentos em caderneta de poupança não cresce no mesmo ritmo que a demanda por financiamento de habitação, o que evidencia o bom momento vivido pelo mercado imobiliário e exige que as instituições financeiras pensem em outras maneiras de captar recursos para sustentar o setor. Outro fator que contribui para a expansão do mercado de crédito imobiliário é o crescimento da classe média no Brasil, com a consolidação da classe C e sua propensão para o consumo e por melhores ofertas de crédito. Medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vão favorecer ainda mais o mercado. Essa junção de fatores levou o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, a declarar que o crédito imobiliário deve triplicar na próxima década, ou seja, atingir 15% do PIB (esse valor é, hoje, de 4% a 5%).

De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pelo BC, os financiamentos habitacionais às pessoas físicas somavam 8,6% da carteira total de crédito em junho de 2011, enquanto esse número representava 5,5% das operações no mesmo mês de 2009. O estoque de crédito nessa modalidade alcançou R$ 180, 242 bilhões em agosto. Se as perspectivas de crescimento para os próximos 10 anos se concretizarem, o estoque deve atingir o número impressionante de R$ 540 bilhões.

Não há dúvidas de que o crédito imobiliário é o futuro do crédito no país, pois, embora a expansão seja relevante, sua representatividade na economia ainda é modesta se comparada à de outros países. Nos Estados Unidos ou na Inglaterra, por exemplo, esse número alcança cerca de 80% do PIB. Há espaço para que a evolução seja ainda maior, já que o Brasil enfrenta um déficit habitacional e o mercado imobiliário mantém-se como uma opção interessante e segura para investimento. Além disso, o sistema financeiro brasileiro, um dos mais avançados do mundo, tem a estrutura necessária para crescer de maneira sustentável.