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Mercado sem risco de “bolhas”

Conforme especialistas da área, há fôlego para crescimento para os próximos dez anos.Vendas de imóveis não param de crescer Ao contrário do arrefecimento previsto para as atividades em diversos setores da economia, o segmento imobiliário deve continuar registrando elevados índices de expansão durante, pelo menos, os próximos dez anos.

19/05/2012

Conforme especialistas da área, há fôlego para crescimento para os próximos dez anos.

Vendas de imóveis não param de crescer

Ao contrário do arrefecimento previsto para as atividades em diversos setores da economia, o segmento imobiliário deve continuar registrando elevados índices de expansão durante, pelo menos, os próximos dez anos. De acordo com especialistas consultados pela reportagem, mesmo com a robusta valorização dos preços dos imóveis, que em alguns casos já chega a até 600% na Capital, não há tendência de formação de bolha no mercado imobiliário, já que o crescimento tem sido sustentado pelo bom desempenho econômico do país, aliado aos aumentos da renda da população e das linhas de crédito e financiamento disponíveis.

"Bolha significa um crescimento sem sustentação, e não é isso que ocorre no mercado brasileiro em geral, já que a demanda ainda está muito aquecida", afirma o presidente da Câmara de Valores Mobiliários de Minas Gerais e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula.

Segundo ele, a explicação para a valorização dos imóveis em patamares muito acima da expansão verificada na inflação e em outros segmentos é a correção da defasagem observada nos preços durante a década de 90 e meados dos anos 2000. "Nos anos 90, tivemos cinco moedas diferentes e não conseguimos controlar a hiperinflação. Além disso, o governo havia extinto o programa de habitação existente. Na época, alguns imóveis custavam menos que o preço de sua reconstrução", argumenta Cavalcanti de Paula.

"Em 1986, o setor atingiu o recorde de 600 mil unidades financiadas. O volume só foi alcançado novamente em 2009. Como o déficit habitacional ainda é muito grande, a valorização deve permanecer durante os próximos 10 a 15 anos", avalia o presidente.

Outros fatores que contribuem para a valorização imobiliária são o encarecimento dos preços dos lotes, insumos e mão de obra

Custos  - Além da procura ainda muito maior que a oferta, outros fatores que contribuem para a valorização imobiliária são o encarecimento dos preços dos lotes, insumos e mão de obra, na avaliação do diretor da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Bráulio Franco Garcia.

"As construtoras não estavam preparadas para um crescimento tão intenso e repentino e tiveram de contratar mais funcionários, recompor e aumentar os estoques e procurar mais loteamentos. Também há questões como a escassez de áreas disponíveis em Belo Horizonte e de mão de obra, o que contribui ainda mais para a elevação de todos estes itens. Construir imóveis também ficou mais caro", esclarece.

Segundo Garcia, não há risco de especulações imobiliárias na Capital, no Estado, nem no país porque a situação do mercado brasileiro é diferente ao que foi verificado nos Estados Unidos e na Europa em 2008, durante a eclosão da crise financeira mundial.

"Os preços praticados nos Estados Unidos estavam inflados porque, como o imóvel também é um ótimo investimento financeiro em razão da segurança e da rentabilidade que proporciona, havia muita demanda por parte de investidores, e não porque as pessoas precisavam de moradia. No Brasil, ainda há um grande déficit habitacional, a população continua em busca da casa própria, o que coloca o mercado do país em outra perspectiva. O setor ainda tem muitas condições de expansão, haja visto o número cada vez maior de brasileiros subindo de classe social", observa Garcia.