ACONTECE IMOB

Artigos

Voltar

Projeto “O futuro da minha cidade”, criando uma sociedade ativa e organizada

Por que precisamos pensar no futuro? De acordo com o economista Paul Romer, da New York University, nós estamos presenciando o maior projeto da história da civilização humana: a urbanização do mundo. O profissional lidera uma equipe de pesquisas com o objetivo de levantar dados e indicadores sobre as tendências desse processo de urbanização.

22/05/2017

Por que precisamos pensar no futuro? De acordo com o economista Paul Romer, da New York University, nós estamos presenciando o maior projeto da história da civilização humana: a urbanização do mundo. O profissional lidera uma equipe de pesquisas com o objetivo de levantar dados e indicadores sobre as tendências desse processo de urbanização. De acordo com o especialista, a Revolução Industrial gerou uma “explosão” no mundo, com pessoas se mudando do campo para a cidade e cidades crescendo em direção ao campo, por exemplo, o que modificou a maneira como vivemos. E esta tendência segue até hoje. Desde 2008, a maior parte da população já residia nas grandes cidades e até hoje a quantidade de moradores do campo segue em constante redução.

Neste intenso processo de urbanização, temos características e impactos diversos. Nós estamos todos conectados em escala global. Podemos falar instantaneamente com qualquer pessoa do mundo e receber notícias de todo o globo no momento em que os fatos ocorrem. Com toda essa conectividade e compartilhamento de informações, o conhecimento que acumulamos é imenso e de fácil acesso. Porém, na contramão de todo esse progresso e evolução, ainda nos deparamos com problemas precários e que ficaram esquecidos, como é o caso de saneamento básico e moradia digna – problemas do século 19, por mais incrível que pareça...

Portanto, o maior desafio é conectar esses dois mundos: o das soluções e o dos problemas. E isso só é possível a longo prazo, com muito planejamento, parcerias e investimentos.

O programa “O Futuro da Minha Cidade” é uma iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com consultoria do ex-prefeito de Maringá Silvio Barros e da jornalista Natália Garcia, criadora do projeto “Cidades para Pessoas”.

O grande objetivo do projeto é mobilizar a sociedade local para ser protagonista do futuro em suas respectivas comunidades - e não refém. A ideia é unir as pessoas para que elas mesmas possam criar soluções para a sustentabilidade urbana.

Sendo assim, o projeto busca sensibilizar as principais lideranças do município mostrando que é possível trabalhar em parceria - a sociedade e a prefeitura - para assegurar o crescimento econômico da cidade e a melhoria de sua qualidade para as pessoas.

Para que isso aconteça, é preciso que seja criado um conselho com pessoas comprometidas e envolvidas com a concretização das ideias, com diversas funções, como: os representantes, que lideram ações de sensibilização e mobilização de lideranças; os participantes, que são formadores de opinião e podem dedicar seus conhecimentos, habilidades e atitudes; e os facilitadores, que são treinados para planejar, preparar e administrar o processo.

Como cada cidade tem particularidades em relação à sua história, evolução populacional, nível de organização social e identidade cultural, política e econômica, é preciso que essas características sejam respeitadas e incorporadas no desenvolvimento do projeto. Por isso, é de extrema importância que seja feito um trabalho de avaliação da maturidade da cidade antes do início do projeto.

Para ficar mais exemplificado, o projeto acontece de acordo com as seguintes etapas:

  1. Sensibilização 
  2. Mobilização 
  3. Institucionalização 
  4. Formalização 
  5. Legalização 
  6. Operacionalização 
  7. Planejamento de longo prazo

Antes do início oficial do projeto é muito importante que o prefeito, câmara de vereadores e as principais entidades da sociedade sejam todos envolvidos, para que estejam bem informados, se sintam parte das ações e possam saber e auxiliar onde se quer chegar - e onde é possível chegar.

O projeto precisa também de acompanhamento e avaliação. Para isso, as reuniões em todas as etapas precisam ser registradas e documentadas, com listas de quem esteve presente, os assuntos tratados e suas resoluções. Se houver a possibilidade, recomenda-se gravar e fotografar esses encontros, para que os arquivos possam contar melhor a história.

Em apenas um ano de projeto, “O Futuro da Minha Cidade” já levou seu evento de sensibilização para quatro cidades do país: Joinville (SC), Goiânia (GO), Porto Velho (RO), e São Gonçalo do Amarante (CE).

Conheça mais sobre o projeto: http://bit.ly/2psDuAE

A partir da proposta deste projeto é possível ter uma ideia do potencial que tem a sociedade quando se organiza para o bem comum. Basta que um grupo de pessoas dispostas a fazer o bem umas às outras se reúnam de forma consistente e com um propósito bem definido para que os resultados apareçam. Portanto é este o grande desafio da sociedade atual: utilizar toda a tecnologia e o conhecimento que temos para ajudar uns aos outros a resolver os problemas precários que ficaram pelo caminho nesse processo de urbanização e globalização pelo qual passamos.