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Varejo e expectativas da nova classe média

Pesquisa da Fundação Getulio Vargas divulgada no final do mês de junho revelou que mais de 50 milhões de pessoas (mais do que população da Espanha) subiram para a classe C desde 2003. O mesmo estudo revelou que, entre 2003 e 2009, a base da pirâmide social (classes D e E) foi reduzida de 96,2

20/05/2012

Pesquisa da Fundação Getulio Vargas divulgada no final do mês de junho revelou que mais de 50 milhões de pessoas (mais do que população da Espanha) subiram para a classe C desde 2003. O mesmo estudo revelou que, entre 2003 e 2009, a base da pirâmide social (classes D e E) foi reduzida de 96,2 milhões para 63,6 milhões, e que quase 10 milhões de pessoas ascenderam para as classes mais elevadas entre janeiro de 2009 e maio de 2011. O crescimento da economia com uma inflação mais estabilizada, aliado à expansão do mercado de trabalho e à melhoria da renda da população, foram os fatores que influenciaram essa mudança de patamar.

 A já chamada nova classe média brasileira tem uma renda mensal familiar que varia entre R$ 1.200 e R$ 5.174. São 50 milhões de brasileiros que consomem produtos e serviços em um momento em que americanos e europeus controlam seus gastos, ainda sofrendo os efeitos da crise econômica de 2008. Porém, este novo consumidor não é fácil de ser conquistado e, justamente por isso, o mercado brasileiro já está sofrendo na tentativa de se adaptar às suas necessidades.

Exigente e informado, esse cliente está sempre antenado com as novidades. Valoriza seu dinheiro, quer qualidade, preços e condições especiais de pagamento e está disposto a adquirir produtos de maior qualidade, mas não tem condições de pagar os mesmos valores que as classes Ae B. Esse consumidor está mais preocupado com conforto do que com status. São pessoas que gastam o que sobrou do salário com eletrodomésticos de última geração, mesmo que a casa não ostente por fora todo o conforto que tem por dentro.

Outras mudanças no perfil desse consumidor foram trazidas pela tecnologia e o acesso à informação. A nova classe média busca um investimento e não mais apenas compras rápidas. Ela também está se posicionando mais politicamente, passando a se deixar influenciar por questões como sustentabilidade e não se importa se o seu bolso é limitado: ela quer o melhor produto pelo qual ela pode pegar e, neste sentido, o mercado brasileiro tem muito a crescer. Nos últimos 10 anos eu tenho acompanhado mais e mais produtos destinados ao nicho da classe C. O grande desafio, no entanto, continua sendo unir preço, condições de pagamento e design. E estas são necessidades identificadas hoje, mas se pensarmos na próxima década, muitas mudanças ainda estão por vir e o mercado deve estar atento a elas. Especialistas apontam a necessidade de investimento em produtos voltados para os consumidores mais velhos. Além disso, assuntos como sustentabilidade e saúde, incluindo a prática de exercícios e alimentação saudável, vão influenciar ainda mais o comportamento de compra desses clientes.

Mais do que nunca, o varejo brasileiro precisa ter uma visão 360º do consumidor atual e precisa aprender a analisar os ventos da mudança. A classe média já não se contenta com a casa sem reboque, ela quer piso cerâmico em todos os cômodos, quer aproveitamento dos recursos naturais e energia, e isso levou até o Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, a implementar essas mudanças na segunda fase do projeto.

O consumidor continua em busca do sonho, mas ele já não aceita o pesadelo. A fidelização desse cliente só vai se dar a partir do momento em que a loja estabelecer um vínculo de confiança. Aqueles que estiverem melhor preparados e atentos aos sinais do mercado serão os que vão sair na frente. Há 50 milhões de consumidores emergentes lá fora, ignorar esse contingente é o mesmo que assinar sua falência...