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Crédito Imobiliário

Atraso de imóveis vira tormento de anos

Empresas não dão conta do boom na construção de moradias e recorrem a artifícios em contratos para aumentar prazos de entrega. Em todo o país, cerca de 800 mil famílias sofrem com a longa espera por um lar.

28/02/2012

Empresas não dão conta do boom na construção de moradias e recorrem a artifícios em contratos para aumentar prazos de entrega. Em todo o país, cerca de 800 mil famílias sofrem com a longa espera por um lar.

A oferta farta de crédito imobiliário e o aumento no nível de emprego e de renda da população levaram o setor de construção civil a uma fase estupenda de crescimento. O Brasil nunca teve tantos canteiros de obras, tanto nas capitais quanto no interior. Tamanho entusiasmo, no entanto, foi acompanhado pelo despreparo das construtoras e pelo aumento no tempo de espera pelas chaves da tão sonhada casa própria. Estima-se que, em todo o país, pelo menos 800 mil famílias enfrentem atraso na entrega dos imóveis comprados na planta. Estudo da gerenciadora de obras Tallento mostra que, de dezembro de 2008 ao mesmo mês de 2011, a média de atraso saltou de dois meses e meio para quatro meses e nove dias. Mas são muitos os casos de obras que deveriam estar concluídas há mais de um ano.

Embora ocorram em todo o território nacional, os problemas são mais gritantes nas cidades com atividade imobiliária intensa, como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Manaus e Salvador. A incapacidade das empresas do setor de cumprir os prazos estabelecidos em contrato frustrou os planos do casal de bancários Celso Gomes Cavados Filho, 30 anos, e Giselle Caroline Fernandes Cavados, 32. Quando eram noivos, compraram um apartamento de quatro quartos em Águas Claras, com previsão de entrega para novembro de 2010. Como apostavam em um atraso, na pior das hipóteses, de seis meses, marcaram o casamento para julho do ano passado. A precaução não foi suficiente.

Hoje, um ano e três meses depois do prometido, Celso ainda está morando na casa do sogro. "Queríamos chegar da lua de mel e ir para o nosso apartamento", diz o bancário. Responsável pelo empreendimento, a MRV Engenharia informa que o prédio teve o habite-se emitido em janeiro e que a entrega deverá ocorrer em março. Para não prejudicar os clientes, a empresa congelou o saldo devedor até a conclusão do processo de documentação.

A bancária Elisabeth Rosado Maia, 42 anos, comprou, em 2010, dois apartamentos da Brookfield em Águas Claras. O primeiro deveria ter sido entregue em novembro do mesmo ano e o segundo, em maio de 2011. Há mais de dois anos, porém, Elisabeth está pagando aluguel, hoje de R$ 1,6 mil por mês, por uma casa de três quartos em Vicente Pires. O prejuízo já ultrapassa R$ 35 mil. "Esse é um dos poucos problemas. Além de não estar no nosso imóvel, deixamos de ter o rendimento do aluguel que receberíamos do segundo", diz. A Brookfield afirma que já iniciou a vistoria de algumas unidades concluídas e aguarda a ligação definitiva de energia elétrica para a expedição do habite-se dos imóveis.

Fonte: Correio Braziliense