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Para FMI, Brasil não precisa mais de estímulos

Segundo o Fundo, país só crescerá 3% este ano e poderá perder sexta posição no ranking mundial para o Reino Unido.

19/04/2012

Segundo o Fundo, país só crescerá 3% este ano e poderá perder sexta posição no ranking mundial para o Reino Unido.
A economia do Brasil já retomou a trajetória de expansão e está próxima do chamado crescimento potencial (que não gera inflação), tornando desnecessária a adoção de novas medidas de estímulo pelo governo, como cortes de juros. A avaliação foi feita ontem por Thomas Helbling, chefe de Estudos Econômicos Mundiais do Fundo Monetário Internacional (FMI), ao responder uma pergunta sobre o espaço para uma política monetária expansionista diante da persistência da inflação acima do alvo central da meta oficial, que é de 4,5% pelo IPCA.

A nova edição do relatório "Perspectivas para a Economia Mundial", que traz a análise de cenário e as projeções do Fundo, afirma que a expectativa de inflação acima da meta torna "o espaço de manobra para a política (monetária) mais limitado" no Brasil. Ou seja, um exagero na dose de estímulo poderia descontrolar a inflação.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia hoje a nova taxa de juros do Brasil. A expectativa é que haja redução de 0,75 ponto percentual, para 9% ao ano, o que pode encerrar o ciclo de queda iniciado em agosto. O FMI prevê que a inflação brasileira de 2012, na média anual, será de 5,2% pelo IPCA. O organismo multilateral aponta trajetória de queda do índice oficial do sistema de metas em 2013, para 5%, ainda assim acima do alvo central.

Para Helbling, porém, comparativamente a outros países e à economia global, a situação brasileira hoje é confortável. Ele disse que os efeitos dos cortes de juros já adotados pelo BC serão suficientes para, combinados à reativação modesta da economia global, garantir uma expansão significativa do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) do Brasil em 2012 e 2013. A projeção do Fundo é que, após crescimento de 2,7% em 2011, a taxa passará a 3% este ano - abaixo do que preveem os analistas brasileiros - e 4,1% no próximo.
 - Vocês estão indo bem - disse ele.
 
China deve manter expansão em torno de 8%

Mas, em 2012, o Brasil poderá perder o recém-conquistado posto de sexta maior economia do mundo para o Reino Unido, do qual roubou a posição no ano passado. O relatório do FM projeta que o PIB brasileiro em dólares fechará este ano em US$ 2,449 trilhões, enquanto o do Reino Unido alcançará US$ 2,452 trilhões. À frente de ambos os países continuarão, nesta ordem, Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.

No entanto, esta é uma comparação na qual a flutuação das taxas de câmbio influencia fortemente a conversão. No cálculo em que esta volatilidade é atenuada, por se considerarem os diferentes custos de vida, o Brasil deverá permanecer à frente, na sexta posição do ranking global. Neste caso, em dólares pelo Poder de Paridade de Compra da Moeda (PPP, na sigla em inglês), o PIB brasileiro será de US$ 2,393 trilhões em 2012, contra US$ 2,308 trilhões do Reino Unido.

De forma geral, o FMI projeta uma situação mais favorável aos emergentes, que vão crescer menos, mas ainda em ritmo forte e mais elevado do que o dos países ricos. Isso se deve à consolidação das políticas econômicas dos últimos anos, às relativamente baixas taxas de desemprego, a um declínio controlado dos preços das commodities e a melhores condições dos sistemas financeiros. A projeção é que as nações em desenvolvimento e emergentes terão expansão de 5,7% este ano, 0,2 ponto acima da previsão de janeiro, subindo a 6% em 2013.

A China, segundo o FMI, mantém indicadores de forte crescimento em investimento e consumo, o que levará a segunda maior economia do mundo a uma expansão de 8,2% este ano e 8,8% em 2013. Os riscos são exportações mais fracas e a volatilidade dos preços das commodities e dos fluxos de capitais.

Fonte: O Globo